• Pastor Gilberto Anselmo

Entendendo o Ciclo do Pecado (Gn 3.1-10)


Quando o pecado se instala no coração humano ele segue o seguinte processo: 1) A raiz do pecado é lançar dúvida sobre a vontade de Deus (Gn 3.1-3). Isto é produzido em nosso coração; 2) O pecado consiste em uma negação da vontade de Deus (Gn 3.4-5), que também ocorre no nosso coração; 3) O pecado consiste em dar vazão aos sentidos (Gn 3.6), isto envolve nossas atitudes; e 4) O pecado traz o medo e a separação da comunhão com Deus (Gn 3.7-10), isto afeta o nosso relacionamento com Deus.

Isto nos mostra que, quando falamos de pecado, antes de olharmos exclusivamente as atitudes, devemos olhar o coração. O sábio disse no livro de Provérbios: “sobre tudo o que se deve guardar, guardo o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23).

Vamos refletir mais sobre algumas implicações do que é na verdade o pecado. Por isto, gostaria de voltar ao texto de Gênesis 3.1-10.


O Pecado não depende do ambiente (Gn 3.1; cf Gn 2.7-9)


O pecado não tem justificativa, quando olhamos o contexto de Gênesis 1-3. Observe que Deus os criou segundo sua imagem e semelhança, com certeza isto incluía a santidade, e os colocou em um jardim em que não havia pecado. Hoje poderíamos dizer que aquele jardim era o melhor local do mundo para se viver.

Não havia pecado, ou maldade intrínseca no homem. Quando acabou de fazer o homem e a mulher no sexto dia, diz as Escrituras, que “viu Deus tudo quanto havia feito, e eis que era muito bom” (Gn 1.31). Isto mostra que o pecado não depende do contexto ou ambiente social em que vivemos. Muitos hoje em dia querem justificar o pecado nas circunstâncias adversas. Isso nos revela a grandeza da rebelião do homem.

O pecado desta forma se constitui não apenas em um erro ou falha, mas em uma rebelião contra o caráter santo de Deus. Somente assim podemos ver o quão grande é o pecado humano e o quão grande é a Santidade de Deus.

Hoje, o pecado faz parte da natureza do homem caído. Por isso, ele vai pecar, independente do contexto em que vive. Conta-se que certa vez um elefante e escorpião estavam à margem de um rio, planejando passar em meio às águas densas e turvas. O elefante ao olhar ficou destemido, pois sabia que por sua grandeza e força não teria problemas em passar. Já o escorpião, vendo que não poderia passar para outra margem do rio, propôs ao elefante que o levasse nas suas costas. O elefante relutou, pois desconfiava que o escorpião pudesse picá-lo e com se veneno matar o elefante durante a travessia do rio. Mas o escorpião depois de muitas juras convenceu o elefante. Então o elefante colocou o escorpião sobre suas costas e quando eles estavam na metade da travessia, ele sentiu aquela picada injetando o veneno na corrente sanguínea do elefante. Então o elefante disse para o escorpião: “por que você fez isto? Agora nós dois vamos morrer”. O escorpião, então, respondeu: “eu sei, mais isto faz parte da minha natureza”.


O Pecado consiste em uma Idolatria (Gn 3.4-6)


Todo pecado, de certa forma, constitui-se em um pecado de idolatria, pois quando pecamos constituímos um ídolo pelo qual estamos dispostos a pecar, a despeito da vontade de Deus.

O processo da idolatria se dá quando alguém tem algo pelo qual está disposto a afrontar a santa vontade moral de Deus. Desta forma estamos dizendo, nas entrelinhas, que encontramos uma vontade mais sábia, santa e justa do que a vontade de Deus.

Por exemplo, muitas pessoas hoje mentem para satisfazerem o ego. Logo, a vontade do seu ego, constituiu-se em idolatria. Muitos homens e mulheres estão dispostos a fazerem o que for para manter seus casamentos, mesmo que para isto seja necessário pecar. Desta forma o seu casamento tornou-se um ídolo.

O ídolo, existencialmente falando, sempre deseja receber toda nossa devoção e, em contrapartida, nós queremos que nossos desejos e vontades pecaminosas sejam realizados. O ídolo então faz parte de um processo de troca de vontades pecaminosas.

Podemos ver isto na vida de Adão e Eva, quando Eva após ser contaminada pela dúvida lançada pela serpente e de ter acreditado na sua mentira expressa (Gn 3.5; cf 2.17) permite que a inveja e a soberba lhe estimulassem a tomar do fruto, pois, segundo a serpente, eles seriam “como Deus” (Gn 3.5).

Vejamos também a vida de Saul, quando não cumpriu a vontade de Deus, pois temeu mais a opinião do povo do que a voz de Deus (Gn 2.24). Esse é o pecado do medo da opinião pública contrária, do status. Na opinião de Deus isto se chama rebeldia e arrogância. Então Deus lhe disse por meio do profeta Samuel: “tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Sm 15.22-23).


O pecado não pode ser resolvido com por meio do esforço humano (Gn 3.7-10)


O homem, quando observou a criação com os olhos corrompidos pelo pecado, viu impureza naquilo que Deus havia feito puro. E para esconderem-se da vergonha que o pecado lhes trouxe “coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gn 3.7). A tentativa do homem em encobrir o seu pecado foi frustrante e fracassada.

Seus esforços pessoais, para cobrir seu estado de pecado diante dos olhos do Deus que Tudo Sabe, são no mínimo ridículos e sem lógica. Mas além de uma tentativa frustrante, esta cena também nos mostra como o homem muitas vezes tenta resolver o seu pecado com seus esforços pessoais. Como se ele pudesse resolver o problema de sua rebelião contra Aquele que é totalmente Santo, Justo e Bom.

Muitas pessoas hoje tentam justificar seus pecados fazendo boas ações. Contribuindo para o bem do próximo. Ao fazerem isto pensam que podem amenizar o problema do seu pecado. Não sabem eles que, assim como Adão e Eva, estão tentando de forma frustrante “fazer aventais para si” na busca de cobrir sua culpa. Mas, assim como Adão e Eva, o homem moderno não percebe que esta atitude é inútil.

Na verdade, após o pecado, o homem agora apresenta as causas e não os sintomas. Adão justifica o fato de estar tentando se esconder da presença de Deus por causa de sua nudez. Quando a nudez é apenas um sintoma, mas a causa verdadeira da atitude de se esconder de Deus foi o pecado!

Quantas vezes apresentamos os sintomas e não as causas. Eu tenho tentado revelar as causas dos meus pecados e não os sintomas. Já pedi perdão a minha esposa, após certo desentendimento, no qual externei muita chateação por causa de um atraso por parte dela. Mas, depois percebi que não deveria pedir perdão somente pela minha chateação, mas pelo meu egoísmo! O egoísmo foi a causa de minha chateação.

Assim, podemos concluir que o pecado consiste em algo muito maior do que um pequeno erro ou deslize. Vivemos em uma sociedade que tem banalizado o pecado como algo normal. Em nossos dias as pessoas se mostram idólatras, onde preferem satisfazer seus próprios desejos, no lugar da vontade santa de Deus. Esperando que seu ídolo (seus próprios desejos) satisfaça suas expectativas. O pior é vermos pessoas buscando justificar seus pecados com seus próprios esforços. Que vida de fuga e sem esperança!

Devemos buscar na vontade de Deus o nosso deleite, o nosso maior prazer e alegria. Mas o homem longe de Deus nunca conseguirá. Somente por meio de sua graça podemos ser perdoados e capacitados a servi-lo em santidade.


No amor de Cristo,

Pastor Gilberto Anselmo.

Soli Deo Gloria

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