• Carmem Anselmo

O que está por trás da murmuração? (Êx 16.1-10)



Em nossa caminhada muitas vezes passamos por momentos de intensa provação. Situações onde tudo parece ir de mal a pior. Para alguns, a vida é um eterno sofrimento. Determinadas pessoas entram nesta vida chorando, passam toda a vida chorando e, por fim, saem dela chorando.

Diante de momentos como estes, somos levados a sentimentos extremos, e um sentimento bastante comum é a murmuração. Este é um típico sentimento de oposição a algo. Mas, o grande problema da murmuração é quando murmuramos contra Deus ou contra sua vontade Santa.

A Bíblia nos ensina que devemos fazer as coisas sem murmurações nem contendas (Fp 2.14). Esta postura está diretamente relacionada com a nossa santificação (Fp 2.15-16). Podemos ver que o próprio apóstolo Paulo tinha esta postura (Fp 2.17).

No texto de Êxodo 16 podemos ver um grande evento de murmuração, onde todo o povo, ou pelo menos a maioria do povo, murmura contra Moisés. Na verdade, eles estavam murmurando contra o próprio SENHOR. Esse ato de murmurar marcou o povo durante sua peregrinação no deserto. No entanto, apesar da murmuração parecer ser normal ou inevitável, Deus não se agrada de tal postura.

Eu gostaria de refletir sobre as causas espirituais da murmuração.

A murmuração reflete uma miopia espiritual, que nos faz ver o pior lado de todas as coisas, inclusive das bênçãos de Deus. O povo acabara de ter saído do Egito, após 400 anos de escravidão. Deus libertou este povo com mão forte e triunfou sobre todos os deuses do Egito (Êx 12.12). No entanto, pela condução de Deus eles estavam agora no meio de um deserto. No texto, podemos ver o povo murmurando contra o SENHOR, interpretando o livramento bondoso de Deus como sendo mal, pois o povo disse: “Quem dera tivéssemos morrido por mão do SENHOR na terra do Egito” (Êx 16.2). Veja que esse tipo de murmuração já havia sido feita anteriormente, na saída do Egito, quando o povo disse: “Não havia sepulcros no Egito, para nos tirar de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, fazendo-nos sair do Egito? Não é esta a palavra que te falamos no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto” (Êx 14.11-12). A murmuração fez com que o povo visse o pior lado do que estava acontecendo com eles. Eles não conseguiam enxergar as bênçãos de Deus. A amorosa ação de Deus em libertá-los parecia um ato cruel! Como temos enxergado a ação de Deus nos momentos difíceis de nossas vidas? Será que em meio ao sofrimento nós podemos ver a bondosa mão de Deus sobre nós?

A murmuração reflete falta de gratidão. A murmuração reflete uma falta de agradecimento para com aquilo que Deus tem feito em nossas vidas, mesmo em meio ao sofrimento. Veja que o povo havia sido liberto do cativeiro e não fazia muitos dias que eles, ao murmurarem viram Deus transformar as águas amargas de Mara em águas doces (cf Êx 15.24-25). Geralmente o que nos conduz à falta de gratidão é a amnésia espiritual. Isto acontece quando nos esquecemos da boa ação de Deus! Há um antigo hino que convida-nos a relembrarmos das bênçãos de Deus. O hino diz:


“Se da vida as vagas procelosas são,

Se com desalento julgas tudo vão

Conta as muitas bênçãos, dize-as duma vez,

Hás de ver surpreso quanto Deus já fez.



Conta as bênçãos, conta quantas são.

Recebidas da divina mão.

Uma a uma, dize-as de uma vez,

Hás de ver surpreso quanto Deus já fez”.


Isto é o que aconteceu com Israel no Egito, eles esqueceram das muitas bênçãos de Deus, por isso, murmuraram! Provavelmente não muito tempo depois de Êxodo 16, o povo murmurou outra vez, agora por causa da sede (Êx 17.3). Eles pareciam ter esquecido do que o SENHOR fez em Mara (Êx 15.23-27). No lugar de ingratidão, de falta de reconhecimento daquilo que SENHOR tem feito, a Bíblia nos orienta a sermos gratos à Deus em tudo. Paulo escrevendo em 1 Tessalonicenses diz: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. No grego Paulo usa um imperativo! Dar graças em TUDO, não é uma opção, é um mandamento! Como tem andado nosso exercício de sermos gratos a Deus em todas as áreas de nossas vidas? Quando falhamos nesta área estaremos bem perto da murmuração. Um bom exercício seria agradecer ao SENHOR pelo que Ele tem feito, embora não tenha feito o que eu ainda desejo! Um bom exercício seria agradecer ao SENHOR pelo que Ele tem feito, embora não tenha feito o que eu ainda desejo! Você é capaz de fazer isto?

A murmuração reflete falta de fé. A murmuração do povo no deserto refletia também uma nítida falta de fé na bondade de Deus. O povo não mais olhava para Deus como aquele bondoso SENHOR, que ouviu o clamor do povo e os libertou. A Bíblia nos diz no Salmo 136.1: “LOUVAI ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua bondade (amor leal) dura para sempre.” O motivo de louvarmos a Deus, segundo o salmista é a bondade de Deus e o seu amor leal! Mas, quando murmuramos, mostramos nossa falta de fé nestas verdades. A murmuração mostra ainda falta de fé no poder de Deus! Muitas vezes estamos em situações de grande dor e murmuramos, pois achamos que aquela situação é o fim e que nunca poderá ser mudada. Isto reflete um conceito pequeno do poder de Deus. Paulo diz: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém” (Ef 3.20-21). Quando somos colocados em situações difíceis na vida, nós realmente cremos no poder de Deus e somos levados a murmurar?

Murmuramos quando temos mais prazer nas coisas do mundo do que nas coisas de Deus.Por fim, muitas vezes o que está por detrás da murmuração não é porque desejamos algo melhor, mas porque temos dado mais valor às coisas do mundo do que as coisas de Deus. A opinião do povo foi “Quem dera tivéssemos morrido por mão do SENHOR na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão”.O povo murmurou no deserto por causa das circunstâncias adversas, provavelmente a falta de comida. Mas, o que povo realmente revelou foi que amava mais a escravidão, do que a vida em liberdade com Deus. Eles amavam mais o Egito do que a presença de Deus. É melhor estarmos no deserto na presença de Deus, onde não há nada senão a Sua presença, do que na terra onde há fartura, mas onde não somos livres do pecado! O rei Davi expressa isto, quando diz: “Porque a tua bondade (amor leal) é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão” (Sl 63.3). Moisés expressou sua paixão pela presença de Deus quando disse: “Então lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra?” (Êx 33.15-16) A presença de Deus tem sido nosso maior bem e nossa maior alegria em meio as dificuldades?

Todos nós passamos por momentos difíceis na vida. Mas, necessitamos recordar que a murmuração revela uma profunda fraqueza espiritual. Muitos podem até achar normal, mas afinal de contas ninguém é perfeito. No entanto, devemos lembrar que Deus não se agrada da murmuração. Paulo orienta em 1 Coríntios 10.10, dizendo: “E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor”. No Antigo Testamento a murmuração sempre produziu um sentimento de indignação em Deus e em alguns casos até o juízo divino (Nm 14.2, 29; 16.11, 31-35).

No lugar de murmurarmos façamos ações de graças. Procure agora em meio ao seu sofrimento algo pelo que agradecer a Deus mesmo que nada esteja acontecendo como você deseja. Louve a Deus e creia no seu amor leal e no seu poder. Ame a presença de Deus e Ele com certeza trará paz à tua alma!



No amor de Cristo

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