• Pr. Antonio Carlos

OS RETRATOS DO JUSTO E DO ÍMPIO NO SALMO 1



1. Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.2. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

3. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido.

4. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.

5. Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos.

6. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.


Este é um poema de sabedoria que serve como um prelúdio (introdução) a todo o livro. Salmos de sabedoria são aqueles que dão orientações práticas sobre como Deus quer que vivamos a nossa vida. Esses salmos têm como tema recorrente a bênção desfrutada pelos justos e o inevitável (ainda que, às vezes, tardio) castigo dos ímpios. Embora seja um salmo breve com apenas 6 versos, seu tema é tão grande quanto a Bíblia toda, porque fala de Deus, de pessoas, estilos de vida, caminhos e seus destinos finais. Neste salmo, há um forte contraste entre o justo e o ímpio. O Salmo 1 classifica (faz um retrato de) todas as pessoas em suas respectivas categorias espirituais: Justa x ímpia.

O retrato do justo:

O versículo 1 começa com a expressão: “Bem-aventurado” essa palavra é mais enfática do que “feliz”, pois trata-se da profunda alegria e satisfação em Deus. Ela transmite a ideia daquele que desfruta do favor e da graça especial de Deus. Assim, podemos ver as características do homem justo:


1. O justo é aquele que se mantém afastado do estilo de vida dos ímpios (v1):

Não anda... não se detém... nem se assenta. O homem justo é retratado aqui por evitar certas práticas pecaminosas ou por dizer não a certas coisas. Há uma sequência para baixo nos verbos andar, deter-se e assentar. Em seu contato com os ímpios, evita a cumplicidade e a aprovação de seus pecados. Embora não se isole completamente do contato com os ímpios, o justo não é influenciado pelo conselho dos perversos, antes ele influencia o ímpio a deixar o seu mau caminho.


2. O justo é aquele que ama a lei de Deus (v2):

Mudando para uma descrição positiva, o homem espiritualmente “feliz” é caracterizado pelo apetite insaciável pela palavra de Deus. Ama a Bíblia (se deleita, tem prazer) e medita a seu respeito de dia e de noite (Sl 119.47,97). Aqui, o justo é descrito por sua paixão pela Lei de Deus. Ele lê e medita nela todo o dia, e o dia todo. A ideia é de alguém que busca entender o que a Palavra diz e busca aplicá-la às diferentes áreas de sua vida para ser mais santo.


3. O justo é aquele que se assemelha a uma árvore (v3):

O homem separado do pecado e dedicado à lei de Deus possui todas as qualidades de uma árvore forte, saudável e frutífera. Esta árvore possui vida perene e dá frutos. Este homem, tal qual a árvore que ele é comparado, será bem-sucedido em todos os seus empreendimentos espirituais, pois vive em comunhão com o Senhor, o plantador dessa árvore (Jr 17.7-8).


4. O justo é aquele que desfruta da intimidade do Senhor (v6):

Neste versículo, a palavra conhece dá a ideia de ter um relacionamento pessoal, íntimo com Deus. É dá uma atenção especial a alguém. Nele, a expressão “conhece o caminho” é aprovar seu estilo de vida. Assim, Deus não só conhece o caminho dos justos, mas também aprova, pois os justos andam segundo a vontade do Senhor.


5. O justo é aquele que vai participar da “congregação dos justos” (v5):

Uma das grandes diferenças entre o Justo e o ímpio diz respeito ao destino eterno que cada um vai seguir. O ímpio será julgado e condenado a um destino de sofrimento eterno (não vai prevalecer no juízo de Deus); já o justo irá participar do ajuntamento dos santos para sempre. Ou seja, ele viverá na companhia de outras pessoas tementes a Deus e que vão desfrutar da presença e majestade do Senhor por toda a eternidade.


O retrato do ímpio:

O Salmo diz que: “Os ímpios não são assim...”. Ou seja, os ímpios não são como os justos nem praticam as suas obras. Portanto, Há aqui um contraste inesperado, forte. Então, como são os ímpios?


1. O ímpio é aquele que é como a palha (v4):

Palha é uma figura comum no AT. Essa figura é extraída das épocas de colheita, sendo aplicada ao que é frágil, sem valor, e que serve apenas para ser jogado fora. Os ímpios são plantas mortas e sem raízes. Palha – morte, murcha, não serve pra nada. (Sl 37.10,35,36; 92.7; Pv10.28)


2. O ímpio é aquele cujo destino é a morte eterna (v5):

Perceba como a passagem descreve o ímpio:

  1. Terá de se apresentar diante de Deus no julgamento final;

  2. Não terá defesa adequada nem base legal para argumentar a favor de si mesmo;

  3. Além disso, nunca participarão da congregação dos justos.



3. O ímpio é aquele cujo caminho perecerá (v6):

Há duas palavras neste verso que merecem destaques, a primeira é caminho. É interessante que a repetição dessa palavra reforça a imagem tão característica deste salmo. Ela se refere ao curso total de uma pessoa, ou seja, o seu estilo de vida. Aqui, estes cursos conduzem aos caminhos da vida ou da morte (Dt 30.19; Mt 7.13-14). A segunda é perecerá, pois um dia o caminho do perverso acabará em ruína, dará em nada, desvanecerá e desaparecerá como a palha se dissipa no vento.



Conclusão:

Conforme vimos, o salmo 1 começa exaltando as qualidades do justo “bem-aventurado” e conclui falando sobre o caminho daquele que “perecerá”, o ímpio. Diante disso, faço as seguintes perguntas para uma reflexão pessoal:

  1. Afinal, de que lado você está; dos justos ou dos ímpios?

  2. As características do homem justo se aplicam a você? Ou são as características do homem ímpio?

  3. Para você qual é a vida que vale a pena ser vivida: a do justo ou a do ímpio?


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